NOSSA HISTÓRIA

BRASIL, UM PAÍS DE IMIGRANTES

Em finais de 1990 o historiador Egon Wolff Z”L sugeriu a Luiz Benyosef que fosse conhecer um terreno vazio situado nos fundos de um asilo na cidade de Vassouras onde estavam sepultados dois judeus que haviam falecido naquela cidade em meados do século XIX. A escolha deste local aconteceu devido a divergências religiosas da época que não permitia que pessoas de outras religiões fossem enterradas no único cemitério da cidade, pertencente a uma ordem religiosa.

Entretanto, através de um gesto de solidariedade, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia abriu suas portas e permitiu que fossem sepultados em pequeno jardim que havia nos fundos do seu hospital.

Benyosef ao visitar o local, constatou o abandono do terreno e a precariedade da única pedra tumular (matzeiva) existente, que pertencia a Morluf Levy, de ascendência marroquina e que havia falecido naquela cidade em 03 de março de 1878. O outro, Benjamin Benatar, também de origem marroquina, falecera em 23 de abril de 1859 e sua pedra tumular desaparecera há muito tempo. Para preservar a história, Egon e Luiz idealizaram então, aquele que seria o primeiro plano para recuperar o antigo jardim. Infelizmente na época Egon Wolff estava bastante doente e vindo a falecer poucas semanas depois.

Matzeiva de Morluf Levy abandonada no terreno.

Em meados de 1991, sua esposa Frieda junto com Luiz decidiram retomar o projeto não concluído. Para finaliza-lo convidaram um diretor do Cemitério Comunal Israelita do Rio de Janeiro, Alberto Salama e o Dr. José Kogut, para fazerem parte deste grupo de trabalho. Uma série de reuniões, viagens à Vassouras e contatos com as autoridades locais tiveram início. O paisagista Roberto Burle Marx, amigo de Luiz, participado informalmente, ficou sensibilizado com a ideia e solidário com o propósito de criar mecanismos que pudesse auxiliar no trabalho de preservação dos idosos carentes moradores do asilo, além de resgatar um elo da história que estava se perdendo, ofereceu-se para fazer o projeto. Durante alguns meses Burle Marx, assessorado pela arquiteta Claudia Rosier finalizou o projeto. Seria um Memorial composto por canteiros, flores do serrado brasileiro, com formato de casulos. No casulo central as duas pedras tumulares. Segundo Burle Marx a ideia do casulo, casa de abelhas, seria para simbolizar nossa condição humana que sempre, como as abelhas, tendemos retornar para nossos casulos – nossas casas -. O Memorial representa a “casa de todos nós”.

Independente de credos todos se uniram no esforço. O Prof. Azuil Lasneaux, diretor da Irmandade da Santa Casa imediatamente cedeu o terreno para a obra. A Prefeitura Municipal através do seu prefeito, Severino Dias e de suas secretárias, deram todo o apoio necessário. O saudoso Prof. Severino Sombra de Albuquerque, então presidente da Fundação Universitária Severino Sombra e um dos mais entusiastas pelo projeto, cedeu toda a mão de obra necessária. O Cemitério comunal Israelita do Cajú, do Rio de Janeiro, custeou todas as despesas de material. Seria mais um monumento em uma cidade privilegiada pela história. Vassouras tem um passado de glórias, por ser uma das cidades pertencentes ao glorioso ciclo brasileiro do café, do século XIX. Uma parte da cidade já era tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, inclusive os terrenos onde se situava a antiga Santa Casa, hoje Asilo Barão do Amparo.

O memorial Judaico em 2005

© 2005 – 2020 Memorial Judaico de Vasouras – Todos os direitos reservados.

© 2005 – 2020 Memorial Judaico de Vasouras
Todos os direitos reservados.